Para obter a listagem definitiva, o centro ordenou os dados relativos à presença do coletivo LGBT no Exército em torno de cinco categorias diferentes: inclusão, admissão, tolerância, exclusão e perseguição. Assim, os dez primeiros países, mostram o esforço realizado para apoiá-los e aceitá-los. Trata-se de Nova Zelândia, Holanda, Reino Unido, Suécia, Austrália, Canadá, Dinamarca, Bélgica, Israel, França e Espanha. As duas últimas compartilham a décima posição, seguidas de Alemanha, Noruega, Croácia, Uruguai, Argentina, Áustria, Finlândia, a República Checa e Portugal. A primeira grande potência a aparecer é os Estados Unidos, no posto quarenta. Israel, de um lado, aplica aos casais militares do mesmo sexo maiores salários do que os oferecidos pelas autoridades civis. Do outro, Washington segue tratando aos transsexuais como doentes e os demite.
Está claro que uma pessoa que se define como parte do grupo LGBT trabalhará melhor se se sentir aceita e não há segredos sobre sua situação
Joshua Polchar, analista no centro responsável do relatório
A China é o número 62 da lista, a Índia o 70 e a Rússia o 73. A Uganda, que acaba de impor a prisão perpétua para os homossexuais, ocupa o posto 97. Síria e Irã são a 101 e 102, respectivamente. Líbano, Afeganistão, Emirados Árabes, Marrocos, Omã, Camarões, Sudão ou bem Gana, acompanham na parte da lista que menos aceita soldados homossexuais. O caso da Turquia é significativo. No posto 77, como membro da OTAN colabora com soldados e oficiais que podem ser homossexuais procedentes de outros países da Aliança. Como se arrumam sobre o terreno, é um assunto pouco debatido no interior da organização militar ressaltado pelo estudo.
“A maioria dos trabalhos centra-se no impacto negativo da presença de homossexuais nas Forças Armadas. O nosso foi pedido pelo ministério holandês de Defesa, o primeiro em aceitar gays em suas filas há quarenta anos, e quisemos abrir o debate sobre os aspectos positivos de sua contribuição. O Exército, não nos esqueçamos, está acostumado à diversidade, seja de raça, religião ou gênero.”, assegura Joshua Polchar, analista no The Hague Centre for Strategic Studies.
O centro reforça que não se trata só de um problema de direitos humanos. “As Forças Armadas do século XXI precisam recrutar gente em função do talento e habilidades, não de sua orientação sexual. Está claro que uma pessoa que se define como parte do grupo LGBT trabalhará melhor se se sentir aceita e não há segredos sobre sua situação”, acrescenta Polchar. “Da coesão decorrente, sem ameaças de chantagens nem problemas de segurança pessoal, beneficiam-se todos”, conclui. O centro holandês já prepara outro estudo onde fará recomendações para evitar problemas de ascensão, ou de pensões, entre os homossexuais nas Forças Armadas.
Fonte: Brasil elPAis


