Site reúne serviços que não discriminam trans e travestis
Redação - Postado em
O Brasil é o país com o maior número de assassinatos de travestis e transexuais. A discriminação faz com que a grande maioria dessas pessoas não consiga completar seus estudos e esteja fora do mercado de trabalho formal. Que tal ajudar a desconstruir o preconceito e valorizar os serviços desse grupo?
O Brasil é o país com o maior número de assassinatos de travestis e transexuais. A discriminação faz com que a grande maioria dessas pessoas não consiga completar seus estudos e esteja fora do mercado de trabalho formal. Que tal ajudar a desconstruir o preconceito e valorizar os serviços desse grupo?
Se você é dentista, médico, cabeleireiro, advogado, professor, ou ofereça qualquer outro tipo de serviço que não discrimine trans e travestis, já é possível cadastrá-lo no site "Transerviços". Por meio do projeto, os usuários podem sugerir e pesquisar estabelecimentos que não propaguem a transfobia e que respeitem os direitos dessa parcela da população.
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A plataforma oferece serviços que não propaguem a transfobia
A plataforma permite que trans e travestis ofereçam seus trabalhos e ainda disponibiliza aos usuários o cadastro de outros profissionais que não discriminem minorias.
Nessa primeira etapa, o objetivo do site é coletar sugestões, reclamações e opiniões dos internautas a respeito dos serviços já cadastrados. Gostou da ideia?Clique aqui para conhecer mais e tire suas dúvidas pelo e-mailtranservicos@gmail.com.
Uma mulher transexual que ainda não fez uma cirurgia de redesignação genital — mais conhecida como "mudança de sexo" — se apaixona por outra mulher. Difícil de entender? Pode ser. O conceito de transgênero abriga uma variedade de identidades e sexualidades mais diversa que as matizes da bandeira de arco-íris que lhe representa. Nada nesse universo é simples ou cabe no termo “normal”, mas, de perto, ninguém o é mesmo.
— Transexual é o indivíduo que nasce biologicamente pertencente a um determinado sexo, mas sente-se, percebe-se e tem a vivência psíquica de pertencer ao outro sexo. Dizemos que a identidade de gênero (saber-se homem ou mulher) não é congruente com o sexo anatômico, biológico — explica Alexandre Saadeh, psiquiatra coordenador do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas, da Universidade de São Paulo.
Identidade
A identidade de gênero é o conceito básico para entender a realidade de quem se sente diferente dentro do próprio corpo. É o caso de Thammy Miranda, que faz tratamento com hormônios e, na última semana, fez uma cirurgia para retirar os seios. A operação, contudo, não é fundamental para definir o gênero de uma pessoa. Segundo a militante do movimento transfeminista Maria Clara Araújo, cada indivíduo decide como se identificar.
A modelo Lea T, filha do ex-jogador de futebol Toninho Cerezo, é transexual Foto: Agência O Globo
— Muita gente pergunta qual a diferença entre transexual e travesti. Mas a gente precisa entender que a diferença está na autoidentificação — afirma. — Na questão social, essa é uma diferença de valores socioeconômica. A filha de jogador de futebol que é rica, é branca, teve dinheiro para fazer a cirurgia (de redesignação genital) é transexual. A outra, que é pobre, vive na periferia, é travesti. Esse termo é carregado de muito estigma.
Drag queens são artistas performáticos que se vestem com roupas femininas, independente da sua identidade de gênero, para apresentações. Já os crossdressers são pessoas que usam roupas associadas ao gênero oposto no dia a dia, por interesse ou fetiche. Contudo, segundo a cartunista Laerte, responsável por popularizar o termo e essa discussão, “o crossdresser é um travesti de classe média”. Em 2009, Laerte admitiu ser crossdresser e acabou tornando-se porta-voz desse movimento. Atualmente, se identifica com o gênero feminino e afirma ser bissexual.
A cartunista Laerte iniciou sua transformação em 2009, aos 60 anos Foto: Divulgação
Preconceito e orientação sexual
O fator que mais complica a compreensão é a orientação sexual, que nada tem a ver com identidade de gênero. “Se uma pessoa tem identidade de gênero feminina (mulher) e se atrai por alguém com identidade de gênero feminina, logo, ela é homossexual”, explica Daniela Andrade, diretora do Fórum Paulista da Juventude LGBT. Se se interessa por alguém do gênero masculino, é hétero. No caso de se atrair pelos dois, ela é bissexual. Ou seja, L, G e B cabem dentro da letra T na sigla que engloba esse grupo (Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis, Transexuais e Transgêneros).
Segundo Saadeh, os transexuais sofrem com a dilemas psicológicos complexos, que podem ser potencializados pelo preconceito contra o grupo:
— (As dificuldade são) Autoaceitação e lidar com quem é, sem vergonha de sua condição, ter vivências afetivas e sexuais sem problemas de aceitação pelos ou pelas parceiros ou parceiras, questões de trabalho, fazer a sociedade perceber que não se trata de sem-vergonhice ou mau-caratismo — enumera o psiquiatra.
Marcelo Tas e seu filho Luc: a aceitação da família é uma das dificuldades enfrentada pelos transexuais Foto: Reprodução
Outra manifestação do preconceito contra transexuais, mais sutil, mas não menos ofensiva, é o uso gramatical do gênero oposto.
— O maior ensinamento que podemos passar sobre travestis e transexuais é que, se a expressão de gênero delas é feminina, o certo é tratá-las como mulheres. Falar “o travesti” e “o transexual” é ofensivo à pessoa — explica Maria Clara, que acredita no diálogo como a única forma de solucionar o preconceito. — Brasileiro tem dificuldade de absorver algumas informações, ele gosta muito do senso comum. É normal que as pessoas coloquem tudo no mesmo balaio. Com certeza nos comentários dessa matéria muita gente vai dizer: "Pra mim é tudo viado". Pra desconstruir esses conceitos é preciso reconhecer o preconceito e, a partir disso, ter uma nova visão do que é aquilo. Hoje, a dificuldade do brasileiro é falta de diálogo e, mais ainda, de ouvir esse diálogo — resume.
A militante transexual Maria Clara Araújo Foto: Reprodução / Facebook
Charlie Lowthian-Rickert, menina transgênero, abraça o pai Chris Rickert e amigos depois de discursar ao lado da ministra da Justiça Jody Wilson-Raybould na apresentação do projeto de lei que proíbe discriminação de transgêneros no Canadá (Foto: Sean Kilpatrick /The Canadian Press via AP)
Texto defende transgênero de discriminações e discursos de ódio. Sete tentativas de aprovar lei similar falharam na última década no Canadá.
Da AFP
O Canadá apresentou formalmente nesta terça-feira (17) um projeto de lei a fim de defender as pessoas transgênero de discriminações e discursos de ódio, assim como ativistas dos direitos em todo o mundo marcando o Dia Internacional Contra Homofobia, Transfobia e Bifobia.
Anunciado um dia antes pelo primeiro-ministro Justin Trudeau, a legislação adiciona "identidade de gênero" aos motivos proibidos para discriminação de acordo com os Direitos Humanos Canadenses, lado a lado com as questões de raça, religião, idade, sexo e orientação sexual.
Apresentado no momento em que pega fogo o debate sobre o tema nos vizinhos Estados Unidos, o projeto de lei adiciona as pessoas transgênero a uma lista de grupos protegidos no Código Penal contra discurso de ódio.
Sete tentativas de aprovar uma lei similar a esta no Canadá falharam na última década, a mais recente em 2013.
Mas desta vez espera-se que o projeto de lei passe facilmente, aproveitando o apoio dos partidos de oposição e da maioria liberal no Parlamento.
Ministra canadense da justiça, Jody Wilson-Raybould, chega ao Parlamento para apresentar projeto de lei sobre direito dos transgêneros no Canadá (Foto: Sean Kilpatrick /The Canadian Press via AP)
A ministra canadense da justiça, Jody Wilson-Raybould, disse que o projeto de lei preservaria o direito do canadense de "se identificar e expressar seu gênero como ele desejar, enquanto é protegido contra a discriminação e o ódio, porque os canadenses se sentiriam seguros para serem eles mesmos".
"Ninguém deveria ser recusado em algum emprego, diminuído em seu local de trabalho, não poder ter acesso aos serviços, ou ser alvo de assédio e violência por conta de sua identidade de gênero ou expressão de gênero", afirmou em coletiva de imprensa.
Debate nos EUA Ao sul da fronteira, nos Estados Unidos, um debate sobre os direitos civis tem sido travado por uma onda de iniciativas que visam as comunidades lésbicas, gays, bissexuais e transgênero (LGBT) desde a histórica decisão da Suprema Corte dos EUA, que no ano passado legalizou o casamento entre pessoas do mesmo sexo em todo o país.
A lei da Carolina do Norte, aprovada em 23 de março, exige que pessoas transgênero usem banheiros públicos de acordo com o sexo que está em sua certidão de nascimento.
Isto provocou reação da opinião pública e fez com que diversas celebridades e grandes companhias se juntasse a ativistas na denúncia contra a medida, suspendendo eventos e cortando investimentos no estado.